Fevereiro, 2013.
Olá
refúgio.
Agora são exatamente oito horas da
manhã. Não consegui dormir direito, acho que foi por causa da minha exaltação
ou por simplesmente acreditar que eu já estava em um sonho. Um sonho com Philip
Westorn.
Ontem eu estava no banho escutando minhas
músicas quando Phil bate à porta. Rapidamente, sem ao menos tirar o shampoo da
cabeça, desço as escadas e vou atendê-lo. Como eu estava apenas de toalha,
acabei criando uma oportunidade para mais uma de suas brincadeiras:
– Olha, se eu fosse seu pai, lhe daria uma surra
por estar assim – brincou
analisando-me desde os meus ombros até os pés.
– Qual é, só estou de toalha e nos
conhecemos muito bem. Você não é um desconhecido qualquer.
– Mas isso não quer dizer que terei que
vê-la pelada não é?
– Claro que não, idiota. – Fiz
careta.
Subimos para o meu quarto e
voltei ao meu banho enquanto ele se sentava na cama logo em frente à porta do
banheiro.
– Trouxe a minha fantasia? –
gritei do banheiro.
– Sim, espero que goste.
– Droga, você é péssimo com moda –
resmunguei.
– Não fui eu quem escolhi, bobona. Foi
minha mãe.
– Ainda bem...
A mãe de Phil e eu sempre fomos
chegadas desde o dia em que nos conhecemos, como eu disse. Nas datas especiais,
trocamos presentes e cartas. Ela é bem engraçada. Uma vez fui até a casa de
Phil para visitá-lo, mas como estava ausente, fiquei a tarde inteira
conversando com ela. Temos uma amizade feito mãe e filha.
Saio do banho e encontro Phil
deitado na cama com os braços cruzados debaixo da cabeça, apoiando-a. Olhou-me
de canto e deu um sorriso malicioso. Retruquei o olhar e estranhei a situação:
– O que foi?
Ele apenas riu e passou a mão no
cabelo – um ato típico quando está envergonhado.
– Então... Quer ver a fantasia? –
ofereceu ele pegando a mochila preta de costas e tirando uma sacola. Neste
momento eu me senti eternamente grata pela Sônia ter escolhido o vestido.
O vestido era simplesmente
lindo: todo num tom roxo escuro, com o colete tomara-que-caia de paetê e a saia
de tule sem nenhum bordado. A cor combinava com a gravata borboleta que Phil
usava com seu smoking.
– Realmente... Seu gosto não tem nada a
ver com o da sua mãe. Graças a Deus.
Rimos.
– Pare de falar besteira e se vista.
Temos meia hora para o começo da festa e não quero correr com o carro feito um
desastrado.
– Tudo bem, senhor Westorn Machão.
Ele sorriu. E, ah que sorriso lindo.
Entramos no carro e partimos
para o local da festa. Um grande salão iluminado com árvores enfeitadas pelos
cantos e uma faixa grande dizendo: "The party is just begginning",
recebia os convidados trazendo uma imagem encantadora e charmosa para a festa
que acontecia ali dentro.
– Típica festa de playboys... –
suspirei ao pararmos em frente ao belo salão.
– Sam, por favor –
falou Phil em tom de repreensão.
– Ok, ok...
Ao abrirmos a porta de vidro uma
cortina de seda lilás cobria a frente da festa, e ao abri-la vemos a trabalhosa
e, portanto, maravilhosa decoração em cada canto do salão que mais parecia um
campo de futebol devido a sua grande estrutura. Tudo realmente perfeito.
– Tenho de admitir, dinheiro traz tudo.
– Péé, afirmação errada Sam –
disse Phil imitando o barulho da campainha programas competitivos.
– Poderia me explicar o porquê, Senhor
Philip? – Por causa de nossas vestimentas elegantes,
chamávamos um ao outro como se fôssemos um casal de intelectuais.
– Mas é claro senhorita. O dinheiro não
compra aqueles que são mais importantes em nossas vidas: amizade, família,
felicidade e, sobretudo e o melhor: o amor.
– Muito sábio, senhor Philip –
elogiei.
Ficamos nos encarando após ele
dizer a palavra "amor". Prometemos um ao outro de nunca pronunciarmos
essa palavra em relação a alguém, devido às nossas decepções amorosas sofridas
no passado. É como uma cicatriz frágil que pode ser aberta novamente a qualquer
momento.
– Venha, vamos dançar –
convidou-me pegando pela mão e me levando ao grande salão cheio de casais que
dançavam uma música lenta.
Phil rodeou minha cintura e suas
mãos subiram por minhas costas. Pousei meus braços sobre seus ombros e cerquei
seu pescoço. Estávamos com as testas coladas uma à outra quando a música "This Years Love" (
clique para ouvi-la) começou a tocar.
– Phil, apesar de você ter me
explicado, não consigo entender como você pôde ficar bravo com algo tão fútil
quanto aquele pequeno encontro com o Eric. Tem algo errado e você não quer me
contar...
– E eu não vou contar enquanto
não for a hora certa.
Olhei-o no fundo de seus olhos e
percebi que lacrimejavam. Devia ser algo sério, e como Phil é sentimental (às
vezes até demais) decidi não prosseguir.
– Só quero que fique claro: não
tem absolutamente nada acontecendo de importante entre eu e Eric, e mesmo que...
Phil me puxou brutalmente para
perto de si que me fez prender o fôlego. E, a centímetros de sua boca, pude
ouvir sua respiração acelerada.
– Você é só minha, está
entendendo? – sussurrou.
– E você é só meu – retruquei.
– Mas eu não tenho amigas por aí...
– Ah não?Então presumo que aquela
Raquel com quem você ficou todos esses dias antes de voltarmos a nos falar seja
um travesti – ironizei.
– Sam, ela é apenas uma consoladora
minha, não tem importância nenhuma. O que é totalmente o contrário de você.
Ficamos dançando com passos
curtos e lentos enquanto a música continuava a tocar. Phil beijou meu pescoço
levemente e senti meu pelo se eriçar. Suspirei. Ele levantou o olhar para mim e
disse: – Sua pele é macia.– Sorriu.
Definitivamente foi a melhor
noite de todas.
Na hora da volta, Phil e eu
estávamos completamente bêbados. Ao som de "Tonight
is the night" (clique para ouvi-la), seguimos a estrada longa
pela frente. Abri a janela do carro, coloquei a cabeça para fora e gritei pelas
ruas vazias e iluminadas. O asfalto brilhava devido à chuva que caiu
anteriormente. Phil e eu não parávamos de rir.
– Sam cante comigo! Tonight
is the night, is the night that were losing control...
– Tonight is the night,
is the night we set it off !
A noite se seguiu assim: cheia de sorrisos, risadas, altas
freadas bruscas de Phil e curvas que faziam com que quase saíssemos do carro.
Estávamos fora de controle.
– Me carregue! – ordenei
para Phil que vinha me abraçando atrás de mim quando andávamos pelo corredor
para a porta de minha casa. Fiz um gesto com a garrafa de vidro de cerveja para
que me pegasse.
– Sua folgada...
– Pare de reclamar! – falei em tom
alto com a voz aparente de um bêbado.
Phil então me pegou no colo e
soltei um leve grito:
– Shhhh... As pessoas estão dormindo.
Já são quatro horas da manhã – repreendeu.
– Tá bem, tá bem...
Ele empurrou a porta e entramos.
Parecíamos mais com recém-casados prestes a entrar em sua nova casa. Quem me
dera fosse verdade.
Pulei no chão e subi correndo as
escadas em direção ao meu quarto. Phil tirou o casaco, a gravata e desabotoou a
camisa branca. Seu peitoral ficou à mostra. E, uau, que peitoral. Não é bombado, apenas atlético. O
suficiente para me fazer suspirar.
– Ei, o que está fazendo? –
perguntou ao entrar no quarto.
Eu estava sentada em frente a
minha estante ao lado da porta do banheiro e em frente à cama. Procurava por um
filme para assistir. Phil certamente iria dormir comigo.
– Vendo se tenho algum filme de terror
por aqui...
– Ah não, nem me venha, você sabe que
eu tenho medo.
Levantei-me e parei a sua
frente. Aproximei-me da ponta da cama onde ele se encontrava. Phil levantou a
cabeça e olhou-me confuso. Então, agarrou minhas pernas e caí em cima dele.
Rolamos pela cama até pararmos numa posição em que ele ficava em cima de mim.
Meu coração estava disparado.
–
Você...não...vai...me...provocar...hoje – declarou pausadamente,
penetrando-me com seu olhar.
Senti uma vontade extrema de
beijá-lo, mas não poderia. Não assim, sem motivos.
– É melhor eu...continuar procurando
outro então – desconversei saindo debaixo de Phil.
Voltei a minha caça e não olhei
para trás. Estava ciente de que Phil continuava a me observar, mas eu não podia
ceder aos meus desejos.
Finalmente achei um filme de
comédia, o qual decidimos assistir. Fazia alguns anos que havia lançado,
entretanto eu não tenho uma variada coleção de filmes.
Tirei meu vestido e vesti um
shorts curto com uma blusa branca. Phil ficou com um shorts dele que encontrei
no meu guarda-roupa (ele vem muito em casa) e sem camisa. Deitei-me ao seu lado
e, despercebidamente, apoiei minha cabeça em seu ombro e pousei meu braço
em cima de seu peito. Era tão confortável... Até que minha mente desperta e me
desfaço daquela posição rapidamente. Phil senta-se surpreso:
– O que foi?
– O que eu fiz foi...ridículo.
Desculpe – falei envergonhada.
– Mas eu estava gostando.
Foi minha vez então de encará-lo
surpresa. Sorri e refiz a posição, apertando-o com mais força. Ele apenas
retribuiu e beijou minha cabeça.
Dormimos
dessa maneira, e ao acordar, tive muita cautela para sair da cama e contar
imediatamente o que aconteceu a você.
Concluindo, tudo foi
incrivelmente perfeito.