terça-feira, 28 de maio de 2013

Querida Vida.

Fevereiro,2013.

Olá refúgio!

Domingo de manhã,eu permanecia preocupada com a ausência de Phil no bar.Não é comum isso acontecer,principalmente quando nós dois marcamos de ir a algum lugar.Desconfiada de que algo sério pudesse ter acontecido,ligo em seu celular que,por sorte,desta vez não estava desligado.Ele atende com uma voz séria,sem expressar o ânimo de costume quando nos falamos.
- Oi Samanta. - "Samanta"? O Phil nunca me chamou assim depois que viramos amigos.Foi então que tive certeza de que ele estava bravo comigo.Mas eu ainda não sabia o motivo.
- Phil...você está bem?
- Estou sim. - respondeu friamente.Eu conhecia Phil mais do que ninguém,e é claro que ele não estava bem.
- Não Phil,você não está.Não minta para mim.
Ele permaneceu em silêncio do outro lado da linha.Nem ao menos um chiado eu pude ouvir.Apenas o silêncio,o que doía mais do que qualquer palavra que ele dissesse.
- Não sou eu quem está mentindo.É você.- afirmou incisivamente.Como eu poderia estar mentindo?Em três anos de amizade eu nunca menti.Phil é meu porto-seguro,meu amigo,a minha única companhia.Eu nunca irei mentir.
Antes que eu pudesse responder,ele desligou.Provavelmente não queria ouvir minha voz por um tempo.Precisava de um descanso.
Entrei em meu Facebook e fui até a página do Phil,novamente.O mural tinha alguns convites para festas.Normal,eu já até havia me acostumado com aquilo.Phil,embora não seja como Eric,também é conhecido pela maioria dos alunos do colégio.Sempre é convidado para os eventos.Mas apenas um convite me chamou a atenção: era de uma garota chamada Raquel.Ela era bonita,para ser sincera,muito bonita.Senti algo desconhecido nascer em mim,mas ainda assim,decidi ler o que ela havia escrito.O convite dizia o seguinte: "Oi Philip!Vai rolar uma festa na minha casa este sábado por volta das 20 h.Sem convidados,de preferência.Beijos"- típico recado de uma patricinha sem vergonha na cara.
Aliviei-me por um instante ao perceber que o horário da festa coincidia exatamente com o horário que eu e Phil marcamos para ir ao bar.Então minha expressão virou preocupação.Phil não compareceu ao nosso encontro.
- Não,o Phil não faria isso.- disse para mim mesma,descartando a ideia de que ela tenha me abandonado no bar para ir a festa da tal Raquel.
Contudo,esse pensamento ainda martelou a minha mente pelo resto do dia.
Segunda-feira às 7 horas,acordo elétrica,querendo o mais rápido possível falar com Phil.Eu tinha que deixar clara essa história.
Chego no corredor com armários azuis grudados na parede,parecendo infinitos.Alongando-se a minha frente,existe um banco no canto esquerdo e ao lado do bebedouro,logo depois dos armários.E neste banco,eu vi pernas masculinas e nos pés um all star preto surrado.Era o Phil.
- Phil! - exclamei correndo ao seu encontro - Precisamos conversar.
- Oi - novamente me cumprimentou indiferente.Olhou em meus olhos por poucos segundo,e logo desviou para fitar a porta da sala em que estudamos juntos,a sua frente.
- Phil não faça isso.Precisamos mesmo,e a primeira coisa é: por que não apareceu no bar,sendo que já tinha me mandado a mensagem?- perguntei em tom firme pondo-me a sua frente,obrigando-o a me encarar.
- Cansei de esperar.Só isso. - respondeu e depois engoliu em seco.Estava mentindo.
- Ah claro...você sempre foi disso não é?Pena que eu não reparei por três anos! 
- Vai querer discutir comigo no corredor mesmo? - indagou,olhando-me nos olhos.
- Não,é claro que não.Mas você está me fazendo perder a paciência.- falei num tom mais baixo do que o de antes.
- Ótimo.Então,a resposta é simples.Eu vi você com aquele idiota,amiguinho novo não é?Achei que você quisesse ficar com ele,ao invés de ficar comigo.Decidi ir embora.
- Não é meu amiguinho novo!Aliás,eu recusei quando ele pediu para pegar meu celular que caiu no chão.Nós apenas trombamos Phil.Nada demais. - justifiquei,ainda estranhando essa posição do Phil.Estaria com ciúmes?Não,isso é ridículo.
O Phil não me respondeu.Apenas pegou seus livros e entrou na sala,abrindo a porta com força.E novamente me causou raiva ao deixar de se sentar ao meu lado para sentar-se com aquela Raquel.Ela sorria para mim e  eu pude ver os seus lábios murmurarem: "Ele é meu". Meus olhos se encheram de fúrias,mas não fiz nada que demonstrasse a raiva que eu sentia.Não queria dar escândalo.
Voltei para casa de ônibus,contudo Phil não me acompanhou como fez em todos os anos.Era estranho me sentir sozinha,sem sua companhia.Senti como se eu estivesse incompleta.Deslocada no meio de tantas pessoas que me rodeavam,porque a única a qual eu queria que estivesse ali comigo,não estava.
Nunca me senti assim antes,pelo menos,não depois que conheci o Phil.O que mais me preocupa é o fato de ele ter ficado com a Raquel pelo resto da aula na escola.
Não posso perdê-lo.Eu preciso do Phil,admito.Mais do que qualquer pessoa do mundo.

Boa noite,
Samanta.


domingo, 19 de maio de 2013

Querida Vida

Fevereiro,2013.


Olá refúgio!

Sábado,foi o dia marcado para eu e Philip irmos ao bar. À noite, decido entrar no meu Facebook para conversar com o Philip, mas antes, sem querer - ou não - clico em suas fotos e fico observando-as. Olho o quão é bonito, e sou sortuda por tê-lo como meu melhor amigo. Ele dedica o seu dia para mim, prestando atenção e ajuda quando preciso. Toda vez que o chamo, sei que ele me atenderá, nunca me ignora. Seus cabelos castanho-escuros tão lisos quanto seda, caem em seus olhos de tom castanho-claro, que mais parece caramelo. Seu corpo bronzeado na medida certa, o torna de uma aparência diferente e incomum. Tem músculos nos braços e nas pernas devido às ajudas no trabalho de Sônia Westorn, sua mãe, que antigamente trabalhava com costuras, ou decorações de roupas. 
Seu pai, Carlos Westorn, é empresário há 10 anos. Foi contratado quando Philip tinha 7 anos, e permanece na mesma empresa com Phil já tendo 17. Quando conheci os Westorn , eles receberam-me com abraços calorosos e cumprimentos, e disseram que eu podia tratá-los como uma segunda família, porque a minha, está bem longe de São Paulo, morando numa cidade pequena, no litoral do estado de São Paulo. 
Minha mente desperta quando Philip me chama no chat, fazendo-me fechar a aba de fotos: "Oi princesa!", falou ele chamando-me pelo apelido o qual havia criado nos primeiros dias em que nos conhecemos. Disse que tinha a ver comigo, por ser bonita - o que eu discordava . Na conversa online, ele afirmou estar me esperando, embora eu ainda estivesse de pijamas e com a cabeleira cacheada toda bagunçada. 
Despeço-me e vou tomar um banho. Visto um vestido tomara-que-caia florido azul e uma gladiadora bege. Não gosto muito de chamar atenção, por isso na maioria das vezes, com exceção para as festas importantes, visto-me de forma discreta, pois roupas curtas ou qualquer tipo que faça a atenção se voltar para você, não combina com o meu estilo. Gosto de me esconder entre a multidão sem os olhares constantes daqueles a minha volta.

No caminho a pé, pego meu celular para mandar um torpedo ao Phil e avisar que já estou chegando. Distraída com as letras, tropeço num dos buracos daquela calçada mal construída, na qual eu estava andando. Pela má iluminação, devido aos poucos postes funcionando, vejo ,apertando os olhos, a sombra  de alguém alto e musculoso se aproximando de mim e oferecendo gentilmente:
-Deixe que eu pego para você.
-Não, obrigada. - recusei, já percebendo que aquele alguém não era Phil, como de início pensei.
Nossas mãos se tocaram e nossos olhares cruzaram. Então, com a vista já acostumada com a escuridão, reconheço os olhos azuis e cabelos negros daquele rapaz alto e atlético: era o Eric Carter , uma antiga paixão "relâmpago" do primeiro ano do Ensino Médio . 
Eric e eu, nunca fomos chegados, mas como eu era tola, apaixonei-me por ele como todas as outras garotas. Ele é popular, e considerado o melhor jogador de futebol que a escola já teve. Típico perfil de alguém que anda com amigos esnobes e da alta elite, desprezando as garotas desprovidas de beleza. E foi o que fizeram comigo quando souberam da minha paixão por Eric. Insultaram-me e afirmaram que Eric nunca se apaixonará por alguém como eu. O resultado disso foram horas e horas de choro e lamentações. Mas tudo é superado quando se tem um amigo verdadeiro por perto como o Phil. 
Após minutos de silêncio encarando um ao outro, Eric sorri e se levanta, mas eu, com passos rápidos, vou embora até chegar na entrada do bar, sem olhar para trás. Quero me manter o mais longe possível de alguém que me traga lembranças ruins.
Quando entro, não avisto Philip de relance. Decido dar uma olhada em todas as mesas, entretanto nenhum dos rostos ali era o de Phil. Portanto, opto por ir para casa.
Mando mensagens e mais mensagens inutilmente para o Philip a fim de saber o que aconteceu. Não é de seu costume descumprir com seus compromissos.
Vou para cama e volto a pensar no Eric. Não o vejo desde o início do Ensino Médio. Está tão diferente, tenho a impressão de que está até mais bonito. Será que estou me apaixonando novamente por ele?É melhor ter cuidado, não posso me iludir novamente.

Boa noite,
Samanta.








sexta-feira, 17 de maio de 2013

Querida Vida.

Fevereiro de 2013.

Olá refúgio.

Hoje eu fui ao parque com o Philip,meu melhor amigo.
A brisa batia em nossos cabelos,e eu não pude deixar de admirar aquela sensação. Os olhos castanhos de Phil,refletiam o brilho do sol ardente que nos aquecia naquela tarde. Os seus cabelos cor de chocolate sacudiam a cada vez que o vento aumentava.
Caminhávamos pelo corredor entre as árvores tão verdes e recheadas de frutas para alimentar a quem quisesse. Nossos sapatos arrastavam no concreto cinza,que se destacava no gramado verde perfeitamente podado a sua volta. Philip lambia seu sorvete de casquinha,enquanto eu,discretamente o olhava de canto para observá-lo. Naquele clima de calmaria,Phil quebra o silêncio:
-Vai me ajudar com a tarefa de matemática?-perguntou, virando-se para me olhar.
-Phil...você sabe que eu estou ocupada com esse negócio de procurar um emprego.
-Mas Sam, você é a única pessoa que eu conheço que é nerd e pode me ajudar,mas você ná dá a mínima pra mim...-choramingou, fazendo a típica expressão de cão sem dono.
Soltei um riso e continuamos a andar.Após alguns passos eu decido ajudá-lo.
-Só porque você é meu melhor amigo.-justifiquei abraçando-o. Seu corpo não é tão musculoso,mas tem uma aparência atlética suficiente para ser notada. Os braços fortes rodeavam a minha cintura,e seu queixo estava apoiado em meu ombro. Somos de estatura praticamente igual.
Seus dedos acariciaram meus cabelos longos e cacheados, de um tom castanho-escuro, com leves mechas loiras. Finalmente,paramos com o abraço e ficamos um tempo nos olhando sorrindo, como se disséssemos um para o outro: "Gosto do seu abraço".
-Já te disse que seus olhos são lindos?-elogiou Phil, fazendo-me ficar num tom rosado, como eu ficava nas poucas vezes que me elogiavam.
-Seu bobo, olhos lindos são os de cor esmeralda,azul do mar...o meu é apenas castanho, como o seu.
-Por isso são lindos.-brincou abrindo um sorriso branco de ponta a ponta fazendo-me sorrir até por dentro.
Fomos para minha casa por volta das 18 horas. Por fora, minha humilde casa é pintada de um tom amarelo claro,com pequenas janelas brancas, que abrem para a cozinha, a sala, e o meu quarto no andar de cima.
Phil decidiu ficar um pouco comigo, já que morava ao lado. Ficamos conversando sentados na pequena mesa  de madeira que fica no centro da cozinha pouco espaçosa, quase apertada devido ao armário novo que meus pais me deram de presente no dia em que vim me mudar, para morar finalmente sozinha. Foi então que conheci Philip, que mora com sua família que tem bons recursos financeiros, mas ao contrário da maioria, não são esnobes.
Eu e Phil marcamos então, um lanche no bar nesse fim de semana, para aliviarmos um pouco a tensão das provas.Ele não é estudioso, entretanto com uma pequena ajuda minha, esforça-se ao máximo para não ficar de recuperação.
Nos despedimos e eu fiquei olhando seu corpo desaparecer na escuridão que já tomava a cidade.

Boa noite,
Samanta.







domingo, 12 de maio de 2013

O Início.

Olá.Escrevo neste blog com o intuito de publicar minhas histórias (ou webs) que também são divulgadas em meu tumblr.

A primeira web que irei publicar,será a "Querida Vida", a qual conta a história de Sam,a partir de escritas em seu diário,e de seus relacionamentos com Philip,seu melhor amigo.Embora a amizade entre os dois seja forte,tudo muda quando Sam reencontra um antigo amor do colégio,Eric.

Espero que gostem!