Fevereiro,2013.
Olá refúgio!
Domingo de manhã,eu permanecia preocupada com a ausência de Phil no bar.Não é comum isso acontecer,principalmente quando nós dois marcamos de ir a algum lugar.Desconfiada de que algo sério pudesse ter acontecido,ligo em seu celular que,por sorte,desta vez não estava desligado.Ele atende com uma voz séria,sem expressar o ânimo de costume quando nos falamos.
- Oi Samanta. - "Samanta"? O Phil nunca me chamou assim depois que viramos amigos.Foi então que tive certeza de que ele estava bravo comigo.Mas eu ainda não sabia o motivo.
- Phil...você está bem?
- Estou sim. - respondeu friamente.Eu conhecia Phil mais do que ninguém,e é claro que ele não estava bem.
- Não Phil,você não está.Não minta para mim.
Ele permaneceu em silêncio do outro lado da linha.Nem ao menos um chiado eu pude ouvir.Apenas o silêncio,o que doía mais do que qualquer palavra que ele dissesse.
- Não sou eu quem está mentindo.É você.- afirmou incisivamente.Como eu poderia estar mentindo?Em três anos de amizade eu nunca menti.Phil é meu porto-seguro,meu amigo,a minha única companhia.Eu nunca irei mentir.
Antes que eu pudesse responder,ele desligou.Provavelmente não queria ouvir minha voz por um tempo.Precisava de um descanso.
Entrei em meu Facebook e fui até a página do Phil,novamente.O mural tinha alguns convites para festas.Normal,eu já até havia me acostumado com aquilo.Phil,embora não seja como Eric,também é conhecido pela maioria dos alunos do colégio.Sempre é convidado para os eventos.Mas apenas um convite me chamou a atenção: era de uma garota chamada Raquel.Ela era bonita,para ser sincera,muito bonita.Senti algo desconhecido nascer em mim,mas ainda assim,decidi ler o que ela havia escrito.O convite dizia o seguinte: "Oi Philip!Vai rolar uma festa na minha casa este sábado por volta das 20 h.Sem convidados,de preferência.Beijos"- típico recado de uma patricinha sem vergonha na cara.
Aliviei-me por um instante ao perceber que o horário da festa coincidia exatamente com o horário que eu e Phil marcamos para ir ao bar.Então minha expressão virou preocupação.Phil não compareceu ao nosso encontro.
- Não,o Phil não faria isso.- disse para mim mesma,descartando a ideia de que ela tenha me abandonado no bar para ir a festa da tal Raquel.
Contudo,esse pensamento ainda martelou a minha mente pelo resto do dia.
Segunda-feira às 7 horas,acordo elétrica,querendo o mais rápido possível falar com Phil.Eu tinha que deixar clara essa história.
Chego no corredor com armários azuis grudados na parede,parecendo infinitos.Alongando-se a minha frente,existe um banco no canto esquerdo e ao lado do bebedouro,logo depois dos armários.E neste banco,eu vi pernas masculinas e nos pés um all star preto surrado.Era o Phil.
- Phil! - exclamei correndo ao seu encontro - Precisamos conversar.
- Oi - novamente me cumprimentou indiferente.Olhou em meus olhos por poucos segundo,e logo desviou para fitar a porta da sala em que estudamos juntos,a sua frente.
- Phil não faça isso.Precisamos mesmo,e a primeira coisa é: por que não apareceu no bar,sendo que já tinha me mandado a mensagem?- perguntei em tom firme pondo-me a sua frente,obrigando-o a me encarar.
- Cansei de esperar.Só isso. - respondeu e depois engoliu em seco.Estava mentindo.
- Ah claro...você sempre foi disso não é?Pena que eu não reparei por três anos!
- Vai querer discutir comigo no corredor mesmo? - indagou,olhando-me nos olhos.
- Não,é claro que não.Mas você está me fazendo perder a paciência.- falei num tom mais baixo do que o de antes.
- Ótimo.Então,a resposta é simples.Eu vi você com aquele idiota,amiguinho novo não é?Achei que você quisesse ficar com ele,ao invés de ficar comigo.Decidi ir embora.
- Não é meu amiguinho novo!Aliás,eu recusei quando ele pediu para pegar meu celular que caiu no chão.Nós apenas trombamos Phil.Nada demais. - justifiquei,ainda estranhando essa posição do Phil.Estaria com ciúmes?Não,isso é ridículo.
O Phil não me respondeu.Apenas pegou seus livros e entrou na sala,abrindo a porta com força.E novamente me causou raiva ao deixar de se sentar ao meu lado para sentar-se com aquela Raquel.Ela sorria para mim e eu pude ver os seus lábios murmurarem: "Ele é meu". Meus olhos se encheram de fúrias,mas não fiz nada que demonstrasse a raiva que eu sentia.Não queria dar escândalo.
Voltei para casa de ônibus,contudo Phil não me acompanhou como fez em todos os anos.Era estranho me sentir sozinha,sem sua companhia.Senti como se eu estivesse incompleta.Deslocada no meio de tantas pessoas que me rodeavam,porque a única a qual eu queria que estivesse ali comigo,não estava.
Nunca me senti assim antes,pelo menos,não depois que conheci o Phil.O que mais me preocupa é o fato de ele ter ficado com a Raquel pelo resto da aula na escola.
Não posso perdê-lo.Eu preciso do Phil,admito.Mais do que qualquer pessoa do mundo.
Boa noite,
Samanta.
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